Junho (pico: 17 a 20 de junho)
Manifestações de Junho — 'Não é só pelos 20 centavos'
O que começou como protesto contra aumento de R$ 0,20 na passagem de ônibus em São Paulo virou a maior onda de manifestações no Brasil desde as Diretas Já. Mais de 1 milhão de pessoas nas ruas em centenas de cidades. Pautas difusas: transporte, saúde, educação, corrupção, gastos da Copa. A repressão policial em SP (13/jun) viralizou e multiplicou os protestos. O Brasil nunca mais foi o mesmo.
Manifestações com espectro político amplo — esquerda, direita, apartidários. Repressão policial documentada. Não simplificar como movimento de um lado só. Apresentar a diversidade de pautas e participantes.
15 a 30 de junho
Copa das Confederações — Brasil campeão sob protestos
Brasil sediou e venceu a Copa das Confederações, batendo a Espanha por 3x0 na final com gols de Fred, Neymar e show de futebol. Mas o torneio aconteceu em meio às maiores manifestações da história recente. Estádios lotados por dentro, protestos por fora. 'Imagina na Copa' virou bordão — de preocupação e de ironia.
Evento esportivo entrelaçado com protestos sociais. Apresentar ambos os aspectos sem minimizar nenhum.
13 de março
Papa Francisco eleito — primeiro papa latino-americano
O cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito Papa, adotando o nome Francisco — primeiro papa das Américas, primeiro jesuíta, primeiro a escolher esse nome. Estilo humilde e direto conquistou o mundo. Para o Brasil, maior país católico do planeta, a eleição teve significado especial. Em julho, Francisco visitaria o Rio na JMJ.
23 a 28 de julho
Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro
Papa Francisco fez sua primeira viagem internacional ao Brasil para a JMJ. Mais de 3 milhões de fiéis na missa final em Copacabana. O papa dispensou carro blindado, andou de papamóvel aberto e visitou a favela de Varginha. Frases como 'Façam barulho!' e 'Não se deixem roubar a esperança' viralizaram.
27 de janeiro
Incêndio na Boate Kiss — 242 mortos em Santa Maria
Incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), matou 242 pessoas — a maioria jovens universitários. Sinalizador pirotécnico acendeu a espuma acústica do teto. Saída única, superlotação, extintor vencido. Segunda maior tragédia por incêndio em local fechado do Brasil. O país inteiro chorou. Fiscalização de casas noturnas mudou (ou deveria ter mudado).
Tragédia com 242 mortos jovens. Máxima sensibilidade. Respeito absoluto às famílias. Foco nas causas estruturais e no impacto, não em detalhes mórbidos.
Junho em diante
Edward Snowden revela espionagem dos EUA — Brasil espionado
Ex-analista da NSA revelou programa de espionagem massiva dos EUA, incluindo monitoramento de comunicações da presidente Dilma e da Petrobras. Brasil reagiu com indignação diplomática. Dilma cancelou visita de Estado a Washington e discursou na ONU denunciando a vigilância. Debate global sobre privacidade digital explodiu.
Relações diplomáticas sensíveis. Tom factual, sem conspiracionismo.
5 de dezembro
Nelson Mandela morre aos 95 anos
O ícone da luta contra o apartheid e Nobel da Paz faleceu em Joanesburgo. O mundo prestou homenagens. No Brasil, Mandela era reverenciado pelo movimento negro e pela esquerda. Memorial teve líderes de 90 países. Uma era se encerrou.
2 de abril
PEC das Domésticas — direitos trabalhistas ampliados
Emenda Constitucional 72 estendeu às trabalhadoras domésticas direitos como jornada de 44h, hora extra, FGTS e seguro-desemprego. Brasil tinha mais de 6 milhões de empregadas domésticas — a maioria mulheres negras. A PEC gerou debate sobre trabalho digno, custo para famílias empregadoras e o legado da escravidão.
Tema com dimensão racial e de classe. Apresentar como avanço de direitos trabalhistas, reconhecendo a complexidade do impacto.