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O ano em que o mundo parou — e o Brasil não sabia como reagir

Pandemia, lockdown, lives sertanejas, PIX, máscaras — 2020 mudou tudo e ninguém estava preparado

O que aconteceu

9 marcos de 2020

26 de fevereiro

Primeiro caso de COVID-19 confirmado no Brasil

Um homem de 61 anos, morador de São Paulo que voltou de viagem à Itália, foi o primeiro caso confirmado de COVID-19 no Brasil. Em semanas, a pandemia se espalharia por todo o país. O Brasil passaria a ser um dos países mais afetados do mundo.

VERY HIGH. Pandemia com centenas de milhares de mortes. Tom respeitoso com todas as vítimas. Dados factuais.

Março – abril

Quarentena e lockdowns — cidades brasileiras param

São Paulo decretou quarentena em 22 de março. Rio, BH, Brasília e capitais de todo o país seguiram. Comércio fechado, escolas suspensas, ruas vazias. O presidente Bolsonaro se opôs publicamente ao isolamento, gerando crise com governadores e prefeitos. O STF decidiu que estados e municípios tinham autonomia para decretar medidas restritivas.

VERY HIGH. Tema político e de saúde pública. Registrar posições divergentes de forma factual. Não minimizar a pandemia nem a crise econômica.

16 de abril

Demissão de Mandetta — 4 ministros da Saúde em um ano

O ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que defendia isolamento social e medidas da OMS, foi demitido pelo presidente Bolsonaro após divergências públicas. Seu substituto, Nelson Teich, ficou menos de um mês. O general Eduardo Pazuello assumiu interinamente. O Brasil trocou 4 ministros da Saúde durante a pior crise sanitária da sua história.

VERY HIGH. Gestão da pandemia. Tom factual.

Abril – junho

Lives sertanejas — o Brasil se encontrou no YouTube

Com shows cancelados, artistas sertanejos começaram a fazer lives gigantescas no YouTube. Marília Mendonça bateu recorde mundial com 3,3 milhões de espectadores simultâneos. Gusttavo Lima, Jorge & Mateus, Wesley Safadão e dezenas de outros fizeram lives que viraram o entretenimento do confinamento. O formato virou fenômeno cultural brasileiro.

Abril

Auxílio Emergencial — R$ 600 para sobreviver

Governo federal lançou o Auxílio Emergencial de R$ 600 (depois reduzido para R$ 300) para trabalhadores informais, MEIs e desempregados durante a pandemia. Cerca de 68 milhões de brasileiros receberam. Filas enormes nas agências da Caixa — muitos sem conta bancária. O programa evitou uma catástrofe social mas custou R$ 322 bilhões.

Tema social. Reconhecer impacto positivo e desafios de implementação.

16 de novembro

PIX revoluciona pagamentos no Brasil

O Banco Central lançou o PIX, sistema de pagamentos instantâneos que funciona 24 horas, 7 dias por semana, sem taxa para pessoa física. Em semanas, milhões de brasileiros aderiram. O PIX virou verbo ('me faz um PIX'), substituiu TED/DOC e transformou vendedores ambulantes, feirantes e pequenos negócios. Caso de sucesso mundial em fintech pública.

8 de agosto

Brasil ultrapassa 100 mil mortes por COVID-19

O Brasil ultrapassou a marca de 100 mil mortos por COVID-19, sendo o segundo país a atingir o número (depois dos EUA). Manaus viveu colapso do sistema de saúde com falta de oxigênio. Hospitais lotados, profissionais de saúde exaustos, cemitérios com valas coletivas. O ano terminaria com mais de 195 mil mortes.

VERY HIGH. Respeito absoluto às vítimas e profissionais de saúde. Dados oficiais como fonte. Não politizar as mortes.

15 e 29 de novembro

Eleições municipais adiadas — Brasil vota de máscara

As eleições municipais, adiadas por causa da pandemia, foram realizadas em novembro. Eleitores votaram de máscara, com álcool gel e distanciamento. Em São Paulo, Bruno Covas (PSDB) foi reeleito; no Rio, Eduardo Paes (DEM) voltou à prefeitura. Candidatos de extrema direita e esquerda tiveram desempenho abaixo do esperado nas capitais.

Junho

Black Lives Matter repercute no Brasil — Miguel cai do 5º andar

O assassinato de George Floyd nos EUA ecoou no Brasil. Protestos antirracismo aconteceram em SP, Rio e outras capitais. Em junho, Miguel, menino de 5 anos, filho de uma empregada doméstica, caiu do 5º andar de um prédio em Recife enquanto a mãe passeava com o cachorro da patroa. O caso expôs o racismo estrutural brasileiro.

VERY HIGH. Racismo, desigualdade social, morte de criança. Tom respeitoso e factual. Contextualizar racismo estrutural.

O que tocava

70% local · 30% internacional

O que passava no cinema

Minha Mãe é Uma Peça 3

Minha Mãe é Uma Peça 3

Susana GarciaMaior bilheteria nacional antes dos cinemas fecharem; Paulo Gustavo (que morreria de COVID em 2021)

Tenet

Tenet

Christopher NolanTentativa de salvar o cinema na pandemia; público dividido

Soul

Soul

Pete DocterPixar no Disney+; sobre propósito de vida — perfeito para a quarentena

Parasita

Parasita

Bong Joon-hoOscar de Melhor Filme (cerimônia fev/2020); primeiro filme não inglês a vencer

Enola Holmes

Enola Holmes

Harry BradbeerMillie Bobby Brown no Netflix; cinema migrou para streaming

O que passava na TV

BBB 20 (Globo)

jan-abr 2020O BBB mais assistido em anos — pandemia prendeu o Brasil na frente da TV. Thelma campeã.

The Last Dance (Netflix/ESPN)

abr-mai 2020Documentário sobre Michael Jordan; audiência mundial na quarentena

Amor de Mãe (Globo)

nov/2019 - mar/2020 (interrompida)Primeira novela da Globo interrompida pela pandemia; só voltou em 2021

Quanto custava

Moeda: R$

Cesta básica (SP, dez)R$ 571,00
Gasolina (litro)R$ 4,15
Salário mínimoR$ 1.045,00
Arroz (5 kg)R$ 28,00
Álcool gel (500ml)R$ 25,00

Inflação: 4,52%

Pandemia distorceu preços: arroz, óleo e ovos dispararam. Álcool gel e máscaras viraram artigos de primeira necessidade. Dólar bateu R$ 5,90 em maio. Auxílio emergencial injetou R$ 322 bi na economia.

Ontem vs. Hoje

Valores corrigidos pela inflação

Cesta básica (SP, dez)DIEESE
2020 (R$)
R$ 571,00
Valor hoje (R$)
--
Gasolina (litro)ANP
2020 (R$)
R$ 4,15
Valor hoje (R$)
--
Salário mínimoDIEESE
2020 (R$)
R$ 1.045,00
Valor hoje (R$)
--
Arroz (5 kg)IBGE
2020 (R$)
R$ 28,00
Valor hoje (R$)
--
Álcool gel (500ml)Procon
2020 (R$)
R$ 25,00
Valor hoje (R$)
--

Tecnologia

PIX (Banco Central)

Lançado em novembro. Transferência instantânea gratuita. Virou verbo.

Zoom / Google Meet / Teams

Videoconferência virou o escritório, a sala de aula e a festa de aniversário.

Home office massivo

Milhões de brasileiros trabalharam de casa pela primeira vez. 'Você está no mute.'

Delivery explode

iFood, Rappi e Uber Eats viraram essenciais. Entregadores como trabalhadores essenciais precarizados.

Lives e streaming

YouTube e Instagram viraram palco. Lives sertanejas quebraram recordes mundiais.

TikTok mainstream

Confinamento acelerou o TikTok. Dancinhas, receitas, trends virais.

PlayStation 5 / Xbox Series X

Lançados no final do ano. No Brasil, PS5 a R$ 4.999 — se achasse.

Cultura Pop

Moda

Máscara facial como acessório de moda — estampas, marcas, combinando com roupaMoletom e calça de moletom (loungewear virou uniforme do home office)Cabelo natural crescendo — salões fechados por mesesCrocs de volta — conforto acima de tudo na quarentena

Gírias

Novo normala vida com máscara, álcool gel e distanciamento
Aglomerarjuntar gente (pecado mortal de 2020)
Lockdownfechamento total — palavra inglesa que todo brasileiro aprendeu
Negacionistaquem nega ciência/pandemia (termo virou arma política)
Você está no mutefrase mais repetida em reuniões online do ano

Comportamento

  • Lives sertanejas como evento social: família na sala, cerveja, comentários
  • Pão caseiro: Brasil inteiro aprendeu a fazer pão na quarentena
  • Tela como janela pro mundo: Zoom para tudo (trabalho, aula, happy hour, terapia)
  • Delivery como estilo de vida: compras, comida, remédio — tudo pelo app

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